Por que a Rússia Continua Lutando na Ucrânia?
Na primavera de 2026, algo aconteceu na Ucrânia que não acontecia há anos: o território controlado pela Rússia encolheu. Entre abril e maio, as forças russas perderam mais terreno do que conquistaram, um saldo negativo de cerca de 400 quilômetros quadrados. Para quem acompanha o conflito desde fevereiro de 2022, quando Moscou avançou mais de 115 mil quilômetros quadrados em menos de cinco semanas, o número parece modesto. E é. Mas numa guerra que se transformou numa disputa de atrito ao longo de mais de mil quilômetros de frente, qualquer inversão da tendência ofensiva russa tem peso analítico que vai além da metragem de campo.
A Rússia controla hoje cerca de 118 mil quilômetros quadrados da Ucrânia, aproximadamente 20% do país, incluindo a Crimeia e as partes do Donbas que já estavam sob domínio russo ou separatista antes de 2022. Dos territórios atualmente ocupados, cerca de 75 mil quilômetros quadrados foram tomados após a invasão em grande escala. É uma fatia enorme, mas a velocidade com que esse mapa foi redesenhado despencou para patamares que não têm paralelo recente na história militar das grandes potências. As taxas de avanço russo estão entre as piores registradas em qualquer conflito de escala comparável desde a Segunda Guerra Mundial.
A explicação para essa lentidão está na estrutura do campo de batalha que se formou desde 2023. Campos minados densos, linhas de fortificação em camadas, artilharia pesada e a saturação de drones numa faixa de mais de 20 quilômetros ao redor da linha de frente tornaram o avanço em massa simplesmente inviável. Enviar blindados e infantaria em grande escala contra essas defesas é a receita para perdas catastróficas, e os comandantes russos aprenderam isso da pior forma nos primeiros meses do conflito. A tática que substituiu o assalto frontal é a infiltração: pequenos grupos tentando escorregar entre as posições ucranianas, encontrar brechas, ampliar lentamente o controle de terreno sem expor grandes formações ao fogo concentrado.
Funciona, às vezes, e produz mortes em escala constante. Muitos desses soldados são detectados e atacados enquanto atravessam a zona de mortandade entre as linhas. O volume de pequenos ataques é incessante, e o acúmulo de baixas nesse modelo de guerra difusa é o que explica os números russos que o relatório do CSIS descreve como historicamente ruins. Mesmo quando a tática tem sucesso, ela conquista pedaços pequenos de terreno em vez de colapsar linhas defensivas inteiras. A campanha de dois anos em torno de Pokrovsk, que eventualmente caiu nas mãos russas, é o exemplo mais citado: um esforço concentrado de recursos que não produziu uma ruptura, apenas o avanço gradual e sangrento sobre uma cidade específica.
Do lado ucraniano, o primeiro semestre de 2026 trouxe contraofensivas que se espalharam do Oblast de Kharkiv, no norte, até Zaporizhzhia, no sul, retomando cerca de 400 quilômetros quadrados perto de Oleksandrivka e Huliaipole. São ganhos reais, mas também são ganhos que precisam ser contextualizados: as mesmas vantagens defensivas que frustram os russos limitam a capacidade ucraniana de avançar rapidamente. A dinâmica que protege as linhas ucranianas também torna extraordinariamente difícil para Kiev retomar territórios como a Crimeia ou partes do Donbas que a Rússia ocupa desde 2014. O campo de batalha favorece quem defende, e quando a Ucrânia passa a atacar, enfrenta as mesmas dificuldades que os russos.
É aqui que o relatório do CSIS, produzido por Seth Jones e Riley McCabe, chega ao seu argumento central. Apesar das perdas russas monumentais em pessoal e equipamento, apesar de uma economia que começa a mostrar sinais sérios de tensão, apesar de uma população que, segundo algumas indicações, começa a sentir o peso de uma guerra que durou muito mais do que o previsto, Putin continua lutando. Não deu nenhuma indicação pública de que pretende desacelerar. Enquanto ele estiver disposto a pagar o preço, a Rússia tem reservas de mão de obra suficientes e uma economia de guerra que, embora pressionada, ainda não entrou em colapso.
A conclusão dos autores é ao mesmo tempo clara na análise e frustrante na sua diagnose política: o Ocidente não aplicou a pressão econômica e militar que poderia tornar esse custo insuportável para Moscou. A frota fantasma russa, centenas de tankers adquiridos ou fretados para contornar as sanções ocidentais e continuar escoando petróleo para mercados que não se importam com o embargo, continua operando com eficácia suficiente para financiar o esforço de guerra. Sanções secundárias sobre bancos na China, em Hong Kong e em outros países que facilitam essas transações poderiam apertar o cerco. Não foram aplicadas de forma consistente.
A ironia amarga que Jones e McCabe identificam é que, mesmo numa posição de vulnerabilidade real, a Rússia continua encontrando espaço para manobrar porque quem poderia fechar esse espaço ainda não decidiu fazê-lo completamente. Para a Ucrânia, a melhor perspectiva realista nesse cenário pode ser um impasse que leve a um acordo de paz ou cessar-fogo, não a reconquista do território perdido. É uma conclusão sóbria para um país que está lutando há mais de quatro anos para recuperar o que é seu por direito internacional, mas é o que os dados do campo de batalha sugerem quando lidos sem o filtro do que seria justo acontecer.
Putin está empurrando a Rússia em direção a um abismo econômico, político e militar, segundo a avaliação do CSIS. O problema é que abismos demoram para chegar, e guerras de atrito podem durar mais do que qualquer modelo de custo-benefíciAqui estão algumas opções de títulos com bom potencial de SEO e apelo jornalístico:
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