Nos bastidores de uma guerra que avança mais pelo silêncio do que pelos discursos, uma informação começou a circular entre governos aliados dos Estados Unidos e de Israel. Não veio em tom de anúncio oficial, tampouco acompanhada de provas públicas. Ainda assim, ganhou peso suficiente para ser compartilhada em memorandos diplomáticos.
Segundo o jornal britânico The Times, Mojtaba Khamenei, atual líder supremo do Irã, estaria inconsciente e sem condições de exercer qualquer função de comando. A avaliação, baseada em dados de inteligência americana e israelense, indica que ele enfrenta um quadro de saúde considerado grave e está sendo tratado na cidade de Qom, um dos centros religiosos mais importantes do país.
A situação se torna ainda mais delicada quando se observa o contexto. Mojtaba assumiu o poder após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques atribuídos a forças dos Estados Unidos e de Israel. Desde então, sua presença pública praticamente desapareceu. A primeira manifestação após a sucessão não veio em imagem ou voz. Foi um texto lido por um apresentador da televisão estatal, o que já levantava dúvidas naquele momento.
Enquanto isso, a tensão externa não recuou. Pelo contrário. O presidente norte-americano Donald Trump elevou o tom das ameaças, falando abertamente em ataques a estruturas estratégicas iranianas, como usinas de energia e pontes. Em uma de suas declarações mais duras, chegou a sugerir que uma civilização inteira poderia ser destruída caso suas exigências não fossem atendidas.
Do lado iraniano, as informações são escassas e, em alguns casos, contraditórias. O vice-ministro das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou dias antes que Mojtaba estava bem. Ainda assim, a ausência prolongada de aparições públicas alimenta especulações. Há quem atribua o silêncio a razões de segurança. Outros acreditam que o estado de saúde seja mais grave do que o governo admite.
Autoridades americanas também contribuíram para aumentar a incerteza. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou que o líder iraniano estaria ferido e possivelmente desfigurado. Já Trump, em tom mais direto, chegou a questionar se Mojtaba ainda estaria vivo, embora tenha recuado ao classificar essa possibilidade como rumor.
Por trás da figura pouco visível do líder, existe uma trajetória construída longe dos holofotes. Nascido em oito de setembro de mil novecentos e sessenta e nove, na cidade de Mashhad, Mojtaba é um dos filhos de Ali Khamenei. Ao longo dos anos, consolidou influência nos bastidores do poder, mesmo sem ocupar cargos formais de destaque.
Em dois mil e dezenove, foi alvo de sanções do governo dos Estados Unidos. A justificativa era clara: ele atuava como representante direto do líder supremo, exercendo influência sem passar por qualquer processo institucional de nomeação ou eleição. Segundo autoridades americanas, Mojtaba teria assumido funções relevantes dentro do aparato estatal, mantendo proximidade com a Guarda Revolucionária e participando de decisões estratégicas.
Essa relação com setores mais conservadores remonta ao período da guerra entre Irã e Iraque, nos anos oitenta, quando ele integrou uma unidade de combate. Desde então, seu nome passou a circular entre os grupos mais duros do regime.
O passado recente também carrega controvérsias. Opositores o acusam de ter papel na repressão aos protestos que seguiram a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em dois mil e nove. Há ainda investigações que apontam para a construção de uma rede de negócios no exterior, utilizada para acumulação de riqueza, segundo levantamento da Bloomberg.
No campo religioso, Mojtaba seguiu o caminho tradicional da elite clerical iraniana. Estudou teologia em Qom, onde também lecionou, alcançando o título de hojatoleslam, uma posição intermediária na hierarquia religiosa xiita.
Hoje, no entanto, o que se discute não é sua trajetória, mas sua ausência. Em um regime onde a figura do líder supremo concentra poder e simbolismo, o vazio, mesmo que temporário, não passa despercebido. E, como costuma acontecer em momentos assim, o que não é dito acaba falando mais alto.

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