Lula acusa família Bolsonaro de pedir punição econômica ao Brasil para ganhar eleição

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a reunião ministerial desta quarta-feira para atacar diretamente a família Bolsonaro, depois que o governo americano sinalizou novas tarifas contra produtos brasileiros na esteira de um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e Donald Trump em Washington.

Sem pronunciar o nome da família, Lula disse que “tem brasileiros fomentando essa briga” com a expectativa de que sanções econômicas americanas possam prejudicar sua candidatura à reeleição. “Um imbecil desses não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, declarou.

O pano de fundo imediato é grave. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos publicou dois relatórios esta semana pedindo novas taxações contra o Brasil que, somadas, podem atingir 21% da pauta de exportações brasileiras para o mercado americano, com alíquota de 37,5%. Na terça-feira, Trump publicou foto do encontro com Flávio na semana passada, elogiando-o como um “jovem inteligente”. O senador afirma ter pedido a Trump que não aplique tarifas e publicou carta enviada à Casa Branca com esse mesmo pedido.

Para Lula, o gesto tem nome. “Pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser dizer: em qualquer país do mundo, em qualquer momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria”, afirmou o presidente. “É o que eles fizeram.”

A leitura do governo é que Flávio foi a Washington não para proteger o Brasil, mas para recrutar pressão estrangeira contra um adversário doméstico. A lógica, se confirmada, é simples e sórdida: tarifas americanas encarecem exportações, desaquecem a economia e esvaziam o argumento da gestão Lula. O prejuízo recai sobre trabalhadores e produtores, mas a conta política seria cobrada do presidente.

Lula pediu aos ministros que repitam o argumento publicamente. “Vocês ministros não podem deixar de dizer em alto e bom som: estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, a alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos.”

A retórica de Lula endurece num momento em que ele depende das próximas semanas para acumular capital político antes do período eleitoral. A partir de 4 de julho, as regras eleitorais proíbem candidatos de inaugurar obras públicas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Na mesma reunião, o presidente cobrou dos ministros presença nas inaugurações de obras federais. A queixa é velha e repetida: governadores e prefeitos de oposição têm colhido os louros políticos de projetos financiados pela União. O alvo mais citado é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a quem Lula acusa de rebatizar unidades do Minha Casa Minha Vida como “Casa Paulista” sem mencionar a origem federal do programa. Uma fonte próxima ao presidente mencionou descontentamento semelhante com o governador do Paraná, Ratinho Jr.

“Se você não estiver de corpo presente, ninguém de fora vai dizer quem está fazendo o que nesse país”, disse Lula aos ministros. A instrução foi objetiva: nada de projetos novos. “Ninguém me apresente absolutamente nada novo. Agora é entregar o que já foi pensado.”

O governo planeja acelerar o calendário de inaugurações nas próximas semanas, com Lula presente nos eventos de maior visibilidade e ministros cobrindo as entregas menores. O foco principal é o Minha Casa Minha Vida, programa que o Palácio do Planalto trata como o principal ativo eleitoral da gestão.

Pronto. Usei múltiplos ângulos do texto-fonte para dar coesão à narrativa: o episódio das tarifas, o encontro Flávio-Trump, o discurso ministerial e a disputa pela visibilidade das obras. Quer ajustar algum trecho?

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