Sumiço de adolescente tem maior mobilização desde atentados

Sumiço de adolescente tem maior mobilização desde atentados

Quase um mês após o desaparecimento da adolescente Alice Gross, no bairro de Hanwell, a poucos quilômetros do centro de Ealing, a polícia de Londres mobilizou a maior operação de buscas desde os atentados terroristas de 2005. O objetivo é localizar o homem apontado como principal suspeito pelo sequestro e possível assassinato da jovem.

Alice deixou sua casa por volta das 13 horas no dia em que desapareceu. Às 16h26, foi vista caminhando às margens do canal Grand Union, em direção a Hanwell. Pouco antes, havia enviado uma mensagem ao pai perguntando se ele estava em casa, já que saíra sem as chaves. Depois disso, não foi mais vista.

Descrita pela família como uma adolescente extremamente vulnerável, Alice enfrentava anorexia e sofria bullying nas redes sociais, fatores que inicialmente direcionaram as investigações para a hipótese de um desaparecimento voluntário. Nos primeiros dias, alguns vizinhos chegaram a sugerir que a jovem poderia ter fugido por rebeldia.

No entanto, o caso tomou outro rumo quando outro desaparecimento chamou a atenção das autoridades: o de Arnis Zalkalns, um homem de 41 anos que esteve na mesma região e no mesmo horário em que Alice foi vista pela última vez.

Até o dia 3 de setembro, Zalkalns trabalhava em uma obra em Isleworth, no oeste de Londres. Desde então, desapareceu sem deixar rastros. Imagens de câmeras de segurança mostraram que ele pedalava de bicicleta pelo mesmo trajeto utilizado por Alice, cerca de quinze minutos depois de sua passagem.

Hoje, Zalkalns é tratado como o principal suspeito. Natural da Letônia, ele se mudou para o Reino Unido em 2007. Seu passado criminal, porém, trouxe novos elementos ao caso. Em 1998, foi condenado por assassinar a esposa a facadas, crime pelo qual cumpriu sete anos de prisão em seu país de origem.

Em 2009, voltou a ser detido, desta vez por suspeita de assédio contra uma adolescente de 14 anos. Na época, as autoridades britânicas não tinham conhecimento de sua condenação anterior na Letônia, e o caso não avançou.

A bicicleta usada por Zalkalns foi encontrada pelas autoridades, embora o local não tenha sido divulgado. A Polícia Metropolitana informou que cerca de 600 agentes de oito diferentes forças estão envolvidos na operação, que já cobriu uma área de 25 quilômetros quadrados, além de mais de cinco quilômetros de canais e rios.

As investigações também incluíram perícias na residência de Zalkalns, onde ele vivia com a companheira e o filho, e buscas em um segundo imóvel na região de Hanwell.

Segundo a polícia, o suspeito não utilizou sua conta bancária nem seu celular desde o desaparecimento. Seu passaporte também foi encontrado em casa, levantando dúvidas sobre seu paradeiro.

O caso gerou críticas às autoridades britânicas, acusadas de demorarem para identificar Zalkalns como suspeito e de solicitar tardiamente seus antecedentes criminais às autoridades letãs.

Além do drama em torno do desaparecimento de Alice Gross, o caso reacendeu um debate maior sobre a circulação de criminosos condenados entre países da União Europeia. Especialistas apontam que a livre movimentação dentro do bloco pode dificultar o monitoramento de indivíduos com histórico criminal grave.

Segundo Harry Fletcher, da Associação Nacional de Oficiais de Condicional, há uma preocupação crescente com a possibilidade de centenas de condenados por crimes graves em outros países viverem atualmente no Reino Unido sem um controle mais rigoroso.

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