América Latina Archives - https://mancheteglobal.com/category/america-latina/ Mon, 06 Jul 2026 15:03:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 Alerta do Itamaraty – Brasil pode ser o próximo alvo dos Estados Unidos https://mancheteglobal.com/alerta-do-itamaraty-brasil-pode-ser-o-proximo-alvo-dos-estados-unidos/ https://mancheteglobal.com/alerta-do-itamaraty-brasil-pode-ser-o-proximo-alvo-dos-estados-unidos/#respond Mon, 06 Jul 2026 15:03:03 +0000 https://mancheteglobal.com/?p=1481 Alerta do Itamaraty – Brasil pode ser o próximo alvo dos Estados Unidos O Itamaraty fez um alerta preocupante e que pode revelar uma das maiores mudanças geopolíticas envolvendo o Brasil nas últimas décadas. Em [...]

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Alerta do Itamaraty – Brasil pode ser o próximo alvo dos Estados Unidos

O Itamaraty fez um alerta preocupante e que pode revelar uma das maiores mudanças geopolíticas envolvendo o Brasil nas últimas décadas. Em documento oficial enviado à Câmara dos Deputados, o chanceler Mauro Vieira admitiu que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode abrir espaço para ações extraterritoriais norte-americanas e, no cenário mais extremo, até para o uso de força militar em território brasileiro. Mas será que essa preocupação se resume ao combate ao crime organizado? Ou estamos diante de algo muito maior? Quando analisamos o cenário internacional, a disputa entre Estados Unidos e China, a corrida por terras raras, a segurança energética e o ressurgimento da lógica da Doutrina Monroe, percebemos que o Brasil ocupa hoje uma posição estratégica que vai muito além das facções criminosas. O verdadeiro debate talvez não seja sobre PCC e Comando Vermelho, mas sobre quem exercerá influência sobre uma das maiores potências de recursos naturais do século XXI.

O documento do Itamaraty revela algo que vai muito além do combate ao crime organizado. O alerta do chanceler Mauro Vieira não significa que exista uma decisão dos Estados Unidos de atacar militarmente o Brasil, mas sim que, sob determinadas interpretações da legislação norte-americana de contraterrorismo, Washington poderia alegar justificativas para ações extraterritoriais caso classifique o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Essa preocupação toca diretamente um tema central da geopolítica: soberania.

Mas por que justamente agora?

A resposta provavelmente não está apenas no PCC ou no Comando Vermelho. Está na transformação acelerada do sistema internacional.

Durante décadas, os Estados Unidos exerceram uma posição praticamente incontestável no continente americano. Desde a Doutrina Monroe, formulada em 1823 sob o lema “A América para os americanos”, Washington consolidou a ideia de que potências externas não deveriam expandir sua influência sobre o hemisfério ocidental. Embora essa doutrina tenha mudado de forma ao longo dos séculos, seu princípio estratégico permanece vivo: impedir que rivais geopolíticos estabeleçam posições privilegiadas na América Latina.

O problema para Washington é que esse cenário mudou profundamente.

Hoje, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Empresas chinesas participam de setores estratégicos como energia elétrica, mineração, infraestrutura portuária, telecomunicações e tecnologia. Ao mesmo tempo, Pequim busca garantir acesso estável a alimentos, petróleo, minério de ferro e, principalmente, minerais críticos para a economia do século XXI.

É aqui que entram as terras raras.

Esses minerais são essenciais para praticamente toda tecnologia avançada: semicondutores, veículos elétricos, baterias, inteligência artificial, radares, satélites, turbinas eólicas, mísseis e equipamentos militares. Quem controlar essas cadeias produtivas terá enorme vantagem econômica e estratégica nas próximas décadas.

O Brasil possui algumas das maiores reservas potenciais de terras raras do planeta, além de lítio, nióbio, grafita e outros minerais considerados críticos para a transição energética mundial. Isso transforma o país em um ativo estratégico muito mais valioso do que era há vinte anos.

Ao mesmo tempo, o mundo enfrenta uma crescente insegurança energética.

A tensão permanente no Estreito de Ormuz expõe como o sistema global funciona com margens de segurança cada vez menores. Petróleo continua sendo a base da economia mundial, enquanto Estados Unidos e China operam com reservas energéticas relativamente mais apertadas do que em outros momentos históricos. Em um ambiente assim, garantir cadeias de suprimento confiáveis deixa de ser apenas uma questão econômica e passa a ser um objetivo de segurança nacional.

Sob essa ótica, América Latina ganha importância inédita.

O Brasil reúne recursos naturais abundantes, capacidade agrícola, água doce, reservas minerais estratégicas e posição geográfica privilegiada. Não é exagero afirmar que parte da disputa entre Estados Unidos e China passa, inevitavelmente, pelo território brasileiro.

Isso ajuda a compreender por que Washington demonstra crescente preocupação com sua influência na região.

A classificação de organizações criminosas como grupos terroristas amplia significativamente os instrumentos jurídicos disponíveis ao governo norte-americano. Ela permite sanções financeiras, bloqueios patrimoniais, cooperação internacional ampliada, investigações extraterritoriais e, em determinadas circunstâncias previstas pela legislação dos Estados Unidos, até operações contra organizações consideradas ameaças à segurança nacional. O Itamaraty teme justamente que essa interpretação possa extrapolar os limites da soberania brasileira.

Isso não significa que uma intervenção militar seja iminente.

Na prática, uma operação militar direta dos Estados Unidos em território brasileiro enfrentaria enormes obstáculos políticos, diplomáticos e jurídicos, além de gerar custos internacionais elevadíssimos. O alerta do Itamaraty parece funcionar muito mais como uma avaliação preventiva de riscos do que como a descrição de um plano já em execução.

Mesmo assim, a mensagem tem peso.

Ela revela que Brasília enxerga um ambiente internacional cada vez mais competitivo, onde o combate ao terrorismo, o combate ao narcotráfico, a segurança energética, a disputa tecnológica e a rivalidade entre Estados Unidos e China começam a se sobrepor.

No fundo, talvez o PCC e o Comando Vermelho sejam apenas a superfície de uma disputa muito maior.

A verdadeira questão é saber quem exercerá influência sobre um país que reúne alimentos, energia, minerais críticos, biodiversidade, água e uma posição geopolítica central na América do Sul.

Como aconteceu durante a Guerra Fria, a América Latina volta gradualmente ao centro da disputa entre grandes potências. A diferença é que, desta vez, a corrida não é apenas por ideologia. É por cadeias produtivas, inteligência artificial, minerais estratégicos, energia e segurança econômica.

Em outras palavras, o debate não é apenas sobre crime organizado. É sobre o lugar que o Brasil ocupará na nova ordem mundial que está surgindo.

Professor de História há 32 anos, ex-diretor do Centro de Desenvolvimento da Educação de Armação dos Búzios, autor de A Construção da Identidade Cultural Buziana, Professor- A Ressignificação do Fazer Escolar e Idiossincrasias

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Paraguai – o Segredo do boom econômico https://mancheteglobal.com/paraguai-o-segredo-do-boom-economico/ https://mancheteglobal.com/paraguai-o-segredo-do-boom-economico/#respond Sat, 04 Jul 2026 23:03:44 +0000 https://mancheteglobal.com/?p=1476 O caso do Paraguai é interessante porque desmonta duas ilusões muito comuns: a de que crescimento econômico resolve tudo por si só e a de que Estado mínimo é automaticamente sinônimo de prosperidade distribuída. O [...]

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O caso do Paraguai é interessante porque desmonta duas ilusões muito comuns: a de que crescimento econômico resolve tudo por si só e a de que Estado mínimo é automaticamente sinônimo de prosperidade distribuída.

O país vive, de fato, um ciclo de expansão robusta. Cresceu acima da média regional, reduziu pobreza e desemprego e ganhou confiança internacional. Isso não é pouca coisa. Mas quando se olha mais de perto, percebe-se que esse “milagre” tem bases muito específicas — e contradições profundas.

Primeiro, há a energia barata, sobretudo de Usina Hidrelétrica de Itaipu e Yacyretá. Energia limpa e abundante virou ativo geopolítico central, atraindo data centers, indústria e projetos ligados à inteligência artificial. Num mundo faminto por energia, isso coloca o Paraguai numa posição estratégica.

Segundo, o agroexportador. Soja, carne e madeira continuam sendo a espinha dorsal da economia. Aqui há um ponto clássico latino-americano: o crescimento vem fortemente ancorado em commodities, o que gera riqueza, mas também vulnerabilidade climática e dependência externa.

Terceiro, o capital estrangeiro. Empresas entram atraídas por estabilidade, mão de obra barata e impostos baixos. Isso gera emprego, mas também levanta uma velha questão: quanto dessa riqueza permanece no país e quanto é repatriada?

Quarto, os baixos impostos. O Paraguai se tornou uma espécie de paraíso fiscal moderado da América do Sul. Isso favorece investimento, mas reduz a capacidade do Estado de financiar políticas públicas estruturais. E aí aparece a contradição: cresce-se rápido, mas com pouca musculatura estatal para corrigir desigualdades.

Quinto, a infraestrutura logística. A hidrovia Paraguai-Paraná e o Corredor Bioceânico podem transformar o país em eixo continental de circulação de mercadorias. Isso amplia competitividade e integração regional.

Mas o ponto central é outro: quem está se beneficiando desse crescimento?

Os dados mostram um problema estrutural: cerca de 60% do trabalho segue informal e o índice de desigualdade continua alto. Ou seja, o PIB cresce, mas boa parte da população ainda está fora da proteção previdenciária, da estabilidade salarial e do acesso pleno a direitos sociais.

Esse é o dilema clássico do neoliberalismo periférico: crescimento sem redistribuição consistente.

Sob o governo de Santiago Peña, o Paraguai se consolida como laboratório de uma economia ortodoxa, aberta ao capital e fiscalmente leve. Funciona? Sim, no curto prazo. Mas o desafio histórico será converter esse boom em desenvolvimento real.

Porque crescimento não é a mesma coisa que justiça social. Se a riqueza continuar concentrada, o “milagre paraguaio” pode acabar sendo apenas mais um capítulo da velha história latino-americana: muito crescimento no topo e pouca transformação na base. Apesar do seu crescimento,  não podemos esquecer a tradição histórica de desigualdade que caracteriza toda a América Latina.

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Eleições 2026 – Por que você deveria estar preocupado (a)? https://mancheteglobal.com/eleicoes-2026-por-que-voce-deveria-estar-preocupado-a/ https://mancheteglobal.com/eleicoes-2026-por-que-voce-deveria-estar-preocupado-a/#respond Sat, 27 Jun 2026 13:15:49 +0000 https://mancheteglobal.com/?p=1448 Eleições 2026 – Por que você deveria estar preocupado (a)?l Existe um documento que circula desde esta semana nos bastidores políticos brasileiros e que merece mais atenção do que tem recebido. Trata-se de uma carta [...]

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Eleições 2026 – Por que você deveria estar preocupado (a)?l

Existe um documento que circula desde esta semana nos bastidores políticos brasileiros e que merece mais atenção do que tem recebido. Trata-se de uma carta assinada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, endereçada ao senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro. O conteúdo, divulgado pelo jornal O Globo na última sexta-feira, levanta questões que vão muito além de uma disputa comercial sobre tarifas. Levanta questões sobre soberania, sobre os limites da interferência estrangeira em processos eleitorais e sobre o tipo de compromisso que um candidato brasileiro está disposto a firmar com Washington antes mesmo de ser eleito.

O pano de fundo é o seguinte. No início de junho, Flávio enviou uma carta a Rubio pedindo que o governo Trump desistisse de impor tarifas de vinte e cinco por cento sobre uma longa lista de produtos brasileiros, medida anunciada pelo Escritório Comercial dos Estados Unidos sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais. Na carta, o senador argumentou que o tarifaço causaria sérios danos à população brasileira. Também aproveitou para dizer que confiava em sua vitória nas eleições de outubro e sugeriu a criação de uma equipe de transição para aproximar um eventual governo seu da administração Trump. E encerrou com a frase que, em qualquer tradição diplomática minimamente séria, causaria constrangimento: God bless America, and God bless Brazil.

A resposta de Rubio chegou na terça-feira, vinte e três de junho. O secretário rejeitou o pedido sobre as tarifas sem cerimônia, reafirmando que as investigações comerciais apontam irregularidades do lado brasileiro e que a decisão sobre eventuais sanções pertence ao escritório do representante comercial americano. Mas foi em outro trecho da carta que está o ponto mais delicado. Rubio escreveu que observava com otimismo a expectativa de Flávio em relação às eleições de outubro e agradeceu sua oferta generosa de colocar uma equipe de transição à disposição dos Estados Unidos caso fosse eleito.

Generosa. A palavra escolhida por Rubio é reveladora. Em linguagem diplomática, generoso descreve uma concessão que beneficia quem recebe, não quem oferece. Traduzindo: um candidato brasileiro se ofereceu para colocar a estrutura de seu eventual governo à disposição de uma potência estrangeira, e essa potência considerou a oferta vantajosa o suficiente para agradecer por escrito.

Isso não é cooperação internacional. Não é diplomacia de transição. É a antecipação de um compromisso de subordinação firmado durante uma campanha eleitoral, antes de qualquer mandato, sem qualquer respaldo democrático, com uma nação que simultaneamente ameaça impor tarifas bilionárias contra a economia brasileira.

A divulgação da carta de Rubio coincidiu com o período em que a campanha de Flávio tentava conter o desgaste causado pela foto de Trump ao lado do senador no Salão Oval, publicada no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram a investigação comercial contra o Brasil, o que alimentou críticas sobre possível interferência eleitoral. A cronologia, por si só, já seria suficiente para gerar perguntas incômodas. A carta de Rubio transformou essas perguntas em fatos documentados.

Há um padrão que se repete nos países onde a extrema direita trumpista encontrou terreno fértil. A Argentina de Javier Milei. El Salvador de Nayib Bukele. Honduras. Em todos esses casos, a relação com Washington não foi construída sobre reciprocidade entre países soberanos, mas sobre alinhamento ideológico em troca de legitimidade política e apoio nas urnas. O modelo é simples: o candidato entrega o alinhamento antes de ser eleito, Washington sinaliza aprovação, e essa aprovação é usada como ativo de campanha junto ao eleitorado local que admira o poder americano.

Flávio não divulgou nem fez qualquer comentário público sobre o conteúdo da carta de Rubio após sua divulgação. O silêncio é compreensível. Qualquer comentário implicaria admitir que a carta existe, que seu conteúdo é o que é, e que a palavra generosa foi usada por um dos mais altos funcionários do governo americano para descrever a oferta de um candidato brasileiro de colocar sua eventual equipe de governo à disposição de Washington.

Vale lembrar que os temas em disputa entre Brasil e Estados Unidos não são questiúnculas burocráticas. Rubio reafirmou na carta críticas americanas ao Pix, ao comércio digital, às tarifas consideradas preferenciais, à proteção à propriedade intelectual e ao acesso ao mercado de etanol. São setores que movimentam centenas de bilhões de reais na economia brasileira e afetam diretamente a vida de trabalhadores e empresas que nunca ouviram falar de uma carta trocada entre um senador brasileiro e o secretário de Estado americano em junho de dois mil e vinte e seis.

A questão central, portanto, não é se Flávio tem o direito de se comunicar com representantes de governos estrangeiros. Tem. A questão é o que ele ofereceu nessa comunicação e o que espera receber em troca. Uma equipe de transição à disposição dos Estados Unidos é, na prática, a promessa de que as primeiras decisões de um eventual governo Flávio serão alinhadas com os interesses americanos antes de qualquer consulta ao Congresso Nacional, antes de qualquer debate público, antes de qualquer mandato democrático conferido pelo povo brasileiro.

Isso não é moderação. Não é pragmatismo. É a versão documentada, em papel timbrado do Departamento de Estado americano, do que a extrema direita trumpista chama de parceria e que qualquer dicionário de relações internacionais classificaria de forma diferente.

Há uma diferença fundamental entre governar com alinhamento internacional e entregar instrumentos de governo a um país estrangeiro antes de receber um único voto. Ditaduras frequentemente são apresentadas como modelos de eficiência e ordem. O que os seus apoiadores costumam esquecer é que, nesses regimes, os problemas não desaparecem: simplesmente deixam de ser noticiados. A carta de Rubio não precisou de censura para passar despercebida alguns dias. Precisou apenas do silêncio calculado de quem a recebeu.

O povo brasileiro vai às urnas em outubro. Antes disso, merece saber exatamente o que foi prometido em seu nome, por quem, a quem e em troca do quê.

O Brasil já esteve diversas vezes nesta condição na qual pessoas que lucram com a subordinação do Brasil praticam o entreguismo em troca de apoio político e de legitimidade via força dos canhões.   As próximas eleições serão sobre a sobrevivência ou fim da democracia no último reduto de resistência contra o autoritarismo da extrema direita na América: O Brasil com “S”.

 

Professor de História há 32 anos, ex-diretor do Centro de Desenvolvimento da Educação de Armação dos Búzios, autor de A Construção da Identidade Cultural Buziana, Professor- A Ressignificação do Fazer Escolar e Idiossincrasias

 

 

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