Eleições 2026 Archives - https://mancheteglobal.com/tag/eleicoes-2026/ Fri, 03 Jul 2026 16:03:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 Cartinha – Flávio reforça sua subordinação a Trump https://mancheteglobal.com/cartinha-flavio-reforca-sua-subordinacao-a-trump/ https://mancheteglobal.com/cartinha-flavio-reforca-sua-subordinacao-a-trump/#respond Fri, 03 Jul 2026 16:03:11 +0000 https://mancheteglobal.com/?p=1467 Flávio reforça sua subordinação a Trump Meus amigos, vocês estão entendendo o que está acontecendo? O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, enviou ao governo de Donald Trump uma carta pedindo que os [...]

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Flávio reforça sua subordinação a Trump

Meus amigos, vocês estão entendendo o que está acontecendo? O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, enviou ao governo de Donald Trump uma carta pedindo que os Estados Unidos adiem por cento e oitenta dias a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. E o argumento é revelador: segundo ele, um tarifaço agora fortaleceria politicamente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem denunciado essas pressões como ataques à soberania nacional.

Parem e pensem no tamanho disso. Um senador brasileiro, que ao invés de defender o país diante de uma ameaça econômica externa, pede tempo ao governo estrangeiro para reorganizar sua estratégia eleitoral interna. Isso não é diplomacia. Isso é subserviência política.

Mas qual será o preço dessa submissão?  Está explícito no documento que ele enviou. Flávio Bolsonaro promete que, se vencer as eleições, vai nomear imediatamente um negociador para atender as exigências de Washington. Entre essas promessas estão limitar a integração do Pix com sistemas internacionais não ocidentais, beneficiar empresas de cartões de crédito com desonerações e até libertar o Brasil das chamadas “amarras do Mercosul” para buscar acordos bilaterais diretamente com os Estados Unidos. Isso

Ou seja: enfraquecer instrumentos de autonomia econômica nacional, favorecer grandes corporações financeiras estrangeiras e desmontar mecanismos de integração regional.

Mas há algo ainda mais grave. Na mesma carta, ele sugere que uma vitória maior da oposição no Senado poderia abrir caminho para cassar ministros do Supremo Tribunal Federal, justamente aqueles que enfrentam plataformas americanas acusadas de espalhar desinformação e atacar instituições democráticas.

Percebam a lógica: agradar interesses econômicos externos, proteger gigantes da tecnologia e usar a disputa institucional brasileira como moeda de troca internacional.

Isso expõe uma contradição brutal do bolsonarismo. Enquanto seu discurso fala em patriotismo, sua prática política revela dependência. Enquanto fala em soberania, negocia concessões antes mesmo de chegar ao poder. Isso não te deixa indi

Patriotismo de verdade não se faz de joelhos. Se faz defendendo a autonomia do país, seus trabalhadores, sua economia e suas instituições democráticas. Que quadro lamentável.

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Eleições 2026, Flávio e Trump – Soberania nancional entre as cartas na mesa

Não é preciso ser especialista em análise politica para compreender que quando um assessor diz “o convite partiu do entorno de Trump”, pode ter certeza de que alguém do lado brasileiro ligou primeiro. Não estou dizendo que foi Flávio. Estou dizendo que funciona assim. Sempre funcionou.

A articulação de uma viagem de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, noticiada esta semana com aquela aura de sigilo calculado que as campanhas adoram cultivar, diz menos sobre política externa do que sobre o estado de nervos de uma pré-candidatura que entrou em março com ares de certeza e chegou em maio com algumas rachaduras visíveis. O episódio Vorcaro ainda está vivo. A Polícia Federal não arquivou nada. E quando uma campanha começa a investir pesado em simbologia internacional é porque algo no front doméstico não está indo tão bem quanto o marqueteiro gostaria.

Não que a estratégia seja errada, necessariamente. É antiga, comprovada, e tem a vantagem de ser visualmente irresistível. Uma foto de Flávio ao lado de Trump vale, em termos de engajamento nas redes da militância bolsonarista, mais do que três meses de entrevistas em rádios do interior. Isso não é cinismo, é só a realidade da comunicação política no Brasil de 2026. O problema é que essa mesma foto não converte um eleitor que está com a conta de luz atrasada, e são esses eleitores que vão decidir outubro.

O dado da Quaest que o PL prefere não discutir abertamente é revelador. Quando Lula foi a Washington em maio, 43% dos entrevistados acharam que ele saiu mais forte do encontro. Só 26% disseram o contrário. Isso num eleitorado que, em tese, não torce pelo PT. O que esse número revela não é amor por Lula, é que o eleitorado mediano vê um presidente sentado com Trump e pensa: ok, o Brasil não está isolado. É um raciocínio prático, quase pragmático, que não tem nada a ver com ideologia.

Flávio agora quer a mesma foto. Mas chegar depois muda tudo. Lula foi o presidente. Flávio vai como candidato. A leitura que o eleitor neutro faz disso é diferente, e a campanha sabe disso, mesmo que não admita publicamente.

Há outra questão que ninguém está colocando com clareza. Flávio disse à CNN Brasil que fará uma política externa pragmática, sem alinhamentos automáticos, disposto a conversar com Estados Unidos e China, Israel e Oriente Médio. É um discurso inteligente. Talvez o mais inteligente que ele deu desde que anunciou a pré-candidatura. O problema é que, enquanto falava isso, sua campanha estava articulando correndo para marcar reunião exatamente com Trump, e só com Trump. A contradição não é sutil. É do tamanho de um avião cargueiro.

Eduardo Bolsonaro aparece nas tratativas, claro. Aparece sempre que o assunto é Washington, e nisso ele é genuinamente útil ao clã, talvez o mais útil de todos os filhos nesse campo específico. Marco Rubio também é citado como interlocutor. Se for verdade, é um acesso real, não simbólico, e muda um pouco o peso da coisa. Mas mesmo assim, mesmo que a reunião aconteça e seja calorosa e renda fotos bonitas, a pergunta que volta no dia seguinte é sempre a mesma: e daí? O que muda na vida de quem está preocupado com inflação e segurança pública?

Rafael Moredo, do Movimento Livres, foi honesto quando disse que o impacto tende a ficar concentrado na base bolsonarista. É uma base fiel, mas Flávio já tem ela. O desafio de qualquer candidato que queira chegar ao segundo turno com chances reais é crescer além do núcleo duro, e o núcleo duro não precisa de mais uma prova de que a família é amiga do Trump. Ele já sabe.

O que me intriga, depois de tudo, é a narrativa do sobrenome. Flávio carrega um ativo que nenhum outro candidato de direita tem: o nome Bolsonaro ainda mobiliza. Mas carregar esse nome num cenário em que o pai está inelegível, investigado, e foi o centro de uma tentativa de golpe que foi a julgamento, é um exercício complicado de equilíbrio. A viagem a Washington é, também, uma tentativa de resolver essa equação sem encará-la diretamente. É mais fácil aparecer ao lado de Trump do que explicar o que Flávio pensa sobre o 8 de janeiro.

Cabo Gilberto Silva disse que “a viagem está sendo bastante esperada.” Pela militância, com certeza. Pelo eleitor que vai decidir a eleição? Aí é outra conversa.

O julgamento do posicionamento de Flávio Bolsonaro diante dos Estados Unidos cabe aos eleitores. Sua postura traz implicações políticas, econômicas e diplomáticas.  Econômicas por acenar para um alinhamento incondicional aos interesses dos Estados Unidos aqui no Brasil. Político por estar evidente a busca de uma legitimidade de um líder com pretensões ideológicas de extrema direita e diplomáticas por mais uma vez incitar o Governo Trump contra o Governo Lula.

O que fica claro é que em 2026, para muito além de uma simples eleição presidencial, o eleitor carregará no seu voto o peso da soberania nacional.

Assista também

Professor de História há 32 anos, ex-diretor do Centro de Desenvolvimento da Educação de Armação dos Búzios, autor de A Construção da Identidade Cultural Buziana, Professor- A Ressignificação do Fazer Escolar e Idiossincrasias

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